Tuesday, October 30, 2007
Poteito, potato, vajayjay, va... what?
Deu no New York Times: aquela detentora de muitos nomes, quase todos impróprios, parece ter sido batizada nos EUA com um novo apelido definitivo (e até crismada por Oprah Winfrey, segundo consta). Eu digo que são quase todos impróprios porque as palavras usadas para se referir à moça invariavelmente denotam infantilidade, vulgaridade, agressividade, humor duvidoso, machismo ou todas as alternativas combinadas. Até mesmo o termo defendido como o supostamente correto, vagina, está errado: o que chamam de vagina é na verdade a vulva. O que nos leva a um dos meus dilemas gravídicos: que nome usar com a Menina, considerando que a palavra que eu passei a usar depois de adulta é totalmente grotesca se vinda de uma criancinha. Vocês sabem de quem eu estou falando. Eu me lembro de um post no Mothern, publicado há algumas eras geológicas, que tratava do mesmo assunto. Todas foram dar seus palpites e uma certa dose de constrangimento era quase unânime. O termo que a minha mãe usava quando éramos pequenas é infantil demais para mim hoje. Eu acho que sempre me sentiria meio ridícula ao me ouvir, sem contar que em São Paulo ele é sinônimo do correspondente masculino. Não vamos confundir a criança. Também desgosto de algumas palavras que são consideradas meio mainstream por muita gente. Não uso e nunca usarei nada que comece com ou inclua a letra "x". Primeiro porque me soam feias mesmo, segundo porque têm uma certa carga sexual meio depreciativa, querendo ou não. O veto se estende às referências ao mundo animal, estejamos falando de aves, anfíbios ou lepidópteros. Não tenho nenhum desconforto, nem se trata de pudicícia (arrá, chegou o dia em que eu consegui usar essa palavra no blog!). Ela vai saber direitinho o que é vagina, pênis e afins. Mas convenhamos, ensinar uma menininha a falar "vuuuuulva" é meio demais para a minha cabeça. Nem eu digo "vuuuuulva". Então me digam aí, as que sofreram dilema parecido, qual acabou sendo a solução.
Friday, October 26, 2007
Trivial Quase Nada Variado
Passei uma semaninha bacana, viu? Acho que o meu ciático tem me preparado bem para o parto, tenho tido belos aperitivos da dor. Mas comecei a fazer RPG anteontem e estou apostando todas as minhas fichas nisso. Ou então meu próximo pedido de dica envolverá bengalas para gestantes.
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Muito obrigada a todo mundo que escreveu. Todas as indicações estão guardadas. Decidi continuar onde estou, depois de ter aparado umas arestas com dona médica, embora ela continue em estágio probatório, digamos assim. Fiquei bem impressionada com a quantidade de gente que precisou trocar de obstetra durante os mais variados estágios da gravidez. Não entendo o que esses médicos pensam, sério.
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Sinais exteriores de maternidade I: ser tomada de uma fúria indômita depois de saber que tem gente que não tem o menor pudor em misturar soda cáustica ao leite. E entrar em pânico logo em seguida, claro. E comprar Batavo. E esperar o próximo noticiário informar que eles também foram batizados.
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Pediram para eu comentar o caso do juiz misógino que culpou nós, as Evas, por todas as desgraças do mundo. Eu estava tão Moura Torta que não tive energias para reagir. Só digo que a minha tese de que é preciso incluir um teste psicotécnico nos concursos para a magistratura e o Ministério Público continua mais firme do que nunca.
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Sinais exteriores de maternidade II: ir tomar vacina antitetânica no posto de saúde, ficar atrás de bebezinhos recém-nascidos na fila e cair no choro enquanto eles são espetados nas coxinhas. Para quem aprecia, em janeiro teremos cenas engraçadas nesse departamento. Eu chorando e o Manfriend lipotímico.
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Uma blogueira que vocês não conhecem não gostava de repetir para si mesma que não seria uma grávida deselegante em hipótese alguma e que jamais se renderia ao andar de pata choca. Pffffff. Oitavo mês, here we go.
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 [Desequilíbrio é fato, não dá pra fugir]
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E a Menina pede gentilmente que eu informe a vocês que ela descobriu um brinquedo muito legal aqui na casa dela essa semana: "parece que o nome é costela, tios, mas eu sou pequena e ainda não entendo direito essas coisas".
Thursday, October 18, 2007
Palpite Importante
Alguma de vocês quis ou precisou trocar de obstetra no final da gravidez? Alguma de vocês grávidas e residentes em Brasília não quer me escrever no camseslafarrobagmailpontocom? Como se eu não tivesse mais com que me preocupar, né? Mas é.
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Estou amando os comentários nos dois últimos posts. Assim que a coisa desafogar um pouco por aqui, respondo todo mundo. E continuo rindo alto toda vez que leio o "a não ser que você more em Versailles", hohoho...
Wednesday, October 17, 2007
Gravidzilla©
Este é um post que já vem com muito atraso, mas vai acabar saindo só hoje em homenagem à #@$&* da loja onde eu comprei a cômoda da Menina. É que eu passei o começo da gravidez brincando que a mudança mais gritante sofrida pelo meu corpo não era a barriga, mas o aumento da miopia. Verdade, estou totalmente Magoo. Só que os últimos dois meses e pouco, com a prestimosa ajuda do meu nervo ciático e desse clima medonho que adotou Bras-ilha como lar, me obrigaram a reconhecer que quem mais sofreu mesmo foi o meu humor. Virei a pessoa mais impaciente do mundo. No quesito irritação, vou de zero a cem em meio segundo. É horrível, porque nem eu mesma me reconheço nessas horas. Sei que estou overreacting, mas não consigo controlar a cabôca nervosa que baixa em mim. Hoje chegou a #@$&* da cômoda. Toda estragada na base, com a pintura trincada e a madeira lascada. Não sei a quem atribuir a culpa, se à #@$&* da loja ou à #@$&* da transportadora. Pior, a essa altura do campeonato, se eu recusasse a entrega e resolvesse brigar, uma outra cômoda talvez só chegasse para o primeiro aniversário da Menina. Estou cansada, sem tempo e mais atolada de trabalho que nunca. Resultado: entubei. Deve ser praga dos deuses da laca branca, de tanto que eu desdenhei deles. Mas #@$& que #@$&* do §%&*#@!, viu? Gravidzilla hoje vai cuspir fogo o dia inteiro. #@$&*.
Tuesday, October 16, 2007
We've come a long way, baby
30 semanas. Em tese, restam mais 10. O que pode ser um piscar de olhos ou uma eternidade, dependendo do dia. Nah, dependendo da hora. Se eu pensar em termos dos preparativos faltantes, dá vontade de sair gritando feito o Coelho da Alice. Se eu pensar em termos de noites dormidas à 1:30 e acordadas às 5:00, parece que ainda preciso atravessar os séculos. Mas são 30 semanas. Mudou a casa decimal. Cada vez mais perto.
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Então lá fui eu fazer a ecografia 4D de novo, torcendo para que não tivesse obstáculo nenhum na mira do rostinho: nem placenta, nem cordão, nem mãos ou pés. Virar de cabeça para baixo até que ela tinha virado, mas de resto, a melhor descrição que eu posso fazer da ação intrauterina que pôde ser registrada é essa:
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Depois que eu escrevi o post dos palpites, todo mundo passou a botar um disclaimer nos comentários - até para me dar bom dia! Calma, pípol, eu não gosto é de crendices, o resto é muito bem-vindo, mesmo porque meu conhecimento de bebês é mínimo. Dito isto, abram-se as comportas: - Babá eletrônica: qual é o melhor modelo? - Colchão de bebê: espuma ou mola? - Tratamento das fraldas sujas: alguém, fora as amigas gringas que eu já consultei, usou alguma lixeira especial? O que fazer com a nhaca cultivada ao longo de um dia? - Preciso mesmo levar 4 (!) camisolas para o hospital? - Alguém tem uma boa filmadora (boa e for dummies) para me indicar? E uma impressora de fotos? A lista é imensa, eu deveria anotar, isso sim.
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Domingo de manhã caiu uma das primeiras fichas pós-maternidade. A dois meses do nascimento dela, eu deveria começar a saborear mais os meus silêncios e as minhas rotinas de pessoa sozinha. Não chega a ser triste ou pesado (ainda?), mas é bem esquisito imaginar que não vou mais poder acordar aos domingos e ficar preguiçosa na cama, tomar um café off-diet com rosquinha doce cheia de manteiga (pfff, como se estivesse podendo agora) enquanto leio os jornais que também preguiçosamente pedi para entregarem em casa e passar o dia todo de camisola, se der vontade. Que não vou mais tirar o sábado para fazer as coisas que nunca tenho tempo de fazer durante a semana e passar o dia meio quieta, de um lado pro outro, meio sem horário, com um almoço tardio e sem outra companhia que não a minha própria. Que a minha casa, tão silenciosa, terá um bebê chorando, um Manfriend zanzando, uma enfermeira estranha, uma Lúcia hiperempolgada, três gatos estressados, visitas entrando e saindo... e eu. Que tudo deverá ser milimetricamente planejado e organizado: casa, comida, tempo, lavanderia, supermercado, compromissos, sono... Senão a máquina da minha vida não vai funcionar. Sem improvisos, sem impulsos nem venetas, sem deixar para depois. Eu já noto (e com satisfação) que estou mais organizada e disciplinada, mas que é esquisito pensar que por muito tempo essa será a norma, é.
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A Menina tem mexido muito, mas muito mesmo, a ponto de me acordar à noite com sua imitação de Muhammad Ali. Outro dia, uma amiga muito querida e igualmente grávida escreveu que "a gestação é uma espécie de saudade". Poucas coisas ecoaram tanto em mim nos últimos meses quanto essa frase. Pois agora eu já começo a me sentir nostálgica dessa intimidade tão gostosa quanto estranha que é tê-la aqui dentro - e que nunca mais vai voltar.
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Bem-vinda ao mundo das mães, é isso que vocês estão dizendo aí, não é?
Friday, October 12, 2007
A mão que laqueia o berço é a mão que governa o mundo
... e outras coisas que eu tenho aprendido enquanto preparo um quarto de bebê.
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Editaram uma lei e eu, talvez por viver focada no direito penal, perdi o bonde: "Todo quarto de bebê será branco. Revogam-se todas as disposições em contrário.". É só abrir qualquer revista de decoração pré-natal para ver. Os quartinhos são sempre os mesmos, só as cores dos detalhes variam. Chão de vinil branco (alguns poucos rebeldes ainda conseguem manter seu piso original). Móveis todos laqueados de branco. O que não é branco absoluto é o chamado branco provençal, que vem a ser um branco lixado nas quinas para deixar entrever uma nesguinha mínima de madeira... no branco. O máximo de originalidade é usar detalhes de palhinha ou junco. Desde que pintados de branco, lógico. Junte um tapetinho redondo com poucas cores pastéis nas bordas, uma poltrona acolchoada que você nunca mais vai usar, cole um border colorido na parede, pregue uns puxadores com motivos infantis em portas e gavetas, compre um kit de limpeza (garrafa térmica e potinhos) todo revestido de palhinha branca e voilá, você terá o Quarto Padrão. Ou, como eu prefiro chamar, uma enfermaria infantil.
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O meu apartamento é pequeno. Quando reformei, sabia que teria pouco espaço para armários e estantes, então eu precisava aproveitar o máximo causando o mínimo de entulhamento. Daí que a marcenaria acabou sendo branca. Que é clean e bacana e tal, mas não resulta lá em muito acolhimento. Imaginem minha decepção quando caí no mundo do Quarto Padrão. Tudo o que eu queria era um quartinho aconchegante, alegre e sem fru-frus para ela, mas tudo o que eu via eram quartos assépticos, sem nenhuma personalidade. Lembro do primeiro dia em que arrastei saí com o Manfriend para tentar comprar os berços (dois, né? Família moderna.). Todas as vendedoras nas lojas especializadas nos disseram que "não fabricavam" móveis em madeira natural. Vocês conseguem imaginar uma coisa dessas? Eu até hoje não entendo. Como assim não tem outra opção?! Pois quase não tem mesmo. Dêem uma googladinha que vocês verão como só existe berço branco no mundo. Depois de quase entregar os pontos, recebi uma indicação de uma das Tiafriends paulistanas da Menina e a saga se encerrou na Casa Pronta Kids, com um bercinho de freijó bem básico e de linhas retas, como eu queria. Hmmmm, dois, né? Da cômoda branca não escapei, mas aí tive de me render mais uma vez ao pouco espaço doméstico. Importante é que o berço trará aconchego e será o ponto focal do quartinho. Cuja parede, como vocês já viram aí embaixo, é vermelha. Rosinha e lilasinho my ass.
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Já no lado das boas descobertas, recomendo vivamente às grávidas que não querem tudo igualzinho e padronizadinho para seus bebês um passeio pelo Etsy. Recomendo, mas não me processem depois. Por mais baixo que esteja o dólar e por mais barganhas que existam por lá, o risco de surto gastador é considerável. De passar o tempo que deveria ser usado para o trabalho pesquisando roupinhas e babadorezinhos e paninhos e etczinhos também. Mas tem cada coisa linda, artesanal, feitas com os tecidos mais sensacionais que vocês podem imaginar (eu deveria processar era a Denize, que me estragou totalmente nesse ponto, a demônia)... Até vontade de aprender a costurar já me deu. Tem mais, que eu conto depois. É que em matéria de surto eu já estou bem. Um ontem, ao me dar conta que está tudo comprado mas nada foi entregue ainda. Outro já, já, assim que eu me lembrar do tamanho do prazão que eu estou enrolando para começar. Bom feriado para vocês, almas com sorte.
Wednesday, October 10, 2007
Everybody with me!
 [Amostra grátis de um dos prazos que eu devo precisar responder até o parto]
- "Dra. M., é a Camila. Hoje mal estou conseguindo andar por causa desse nervo ciático. O que eu faço?" - "Tome Tylenol 750 de seis em seis horas e fique em casa de repouso." Brwahahahahaha!
Tuesday, October 09, 2007
Near-tantrum
Depois da segunda noite pessimamente dormida seguida, acordei cedo para fazer supermercado, deixei Santa Lúcia da Misericórdia em casa com as compras e vim trabalhar. Continua fazendo um calor malinês aqui e enquanto eu subia no elevador já totalmente abafado às 10:30, senti vontade de sentar no chão e chorar. Chorar mesmo, feito criança birrenta. Hoje minha inflamação no nervo ciático completa 11 semanas. Cantem parabéns para nós. A Menina ainda tem mais de dois quilos para engordar e portanto eu já me imagino de bengala em novembro. Continuo sem conseguir ir a uma mísera aula de hidroginástica. Estou dando conta de administrar sozinha tudo na minha vida, menos isso. Daqui para sexta tenho dezesseis volumes de processo para ler e uma defesa para redigir - e isso de um caso só. Há mais uns três prazos no meu horizonte. Atividade física é definitivamente um luxo. E depois de uma manhã tão gloriosa, abro o meu Gemeio e vejo o boletim do site Pregnancy Weekly começar com a seguinte exortação: "This is a good time to learn to 'power nap' during the day. Practicing how to nap now is a good idea because you will need a nap almost every time you put the baby down in the beginning. Learning to make the most of naps can minimize fatigue and keep you well-rested and feeling great". Power nap. During the day. Now. Right this second, my ass is power laughing itself off.
Monday, October 08, 2007
O Incrível e o Huck
Eu não ia comentar nada sobre a celeuma em torno do artigo do Luciano Huck assaltado porque não fiquei nada surpresa. Quando abri o jornal naquele dia e li o primeiro parágrafo, só pude fazer "pfffff..." e prever o que de fato se seguiu. A malhação foi só mais um indicador de como as coisas estão fundamentalmente erradas por aqui. Era o caso de as pessoas irem para a frente do espelho refletir um pouco antes de dispararem suas metralhadoras de chavão. But. Eu não ia comentar nada, mas aí hoje a mesma Folha traz uma versão "romanceada" do assalto, escrita por um autor "da periferia", que termina dizendo que a zelite tem mais é que lamber os beiços quando sofre uma violência porque, suprema benesse, pelo menos continou viva. Se um leva o Rolex e o outro segue respirando, é sinal que "o negócio foi bom para ambas as partes". Fiz "pfffff" e agora prevejo aplausos. "É issoaê", dirão os assinantes de jornal e de banda larga, donos de automóveis, residentes de apartamentos encastelados e interfonados com, quem sabe, pelo menos um carimbozinho internacional no passaporte. Mas "eu não sou zelite nããão", bem entendido. E como se esse fosse o ponto. As coisas estão tão fundamentalmente erradas por aqui que eu vou ali para a frente do espelho refletir um pouco.
Friday, October 05, 2007
Mitologia Gravídica 101
Sem querer descobrir a roda aqui, mas se existe uma experiência comum a qualquer mulher que já engravidou é o incessante recebimento de palpites. É dica para tudo quanto é coisa imaginável, das mais úteis às mais sem pé nem cabeça. Existe um departamento de palpites, no entanto, que me incomoda mais que qualquer outro, que são os palpites de natureza esotérico-psicológica. Comentário irritante número zero: não fique nervosa ou estressada ou agitada ou cansada ou atarefada que "você vai passar isso para ela". Não pensem vocês que quem diz isso tem em mente cortisol e adrenalina navegando em doses exageradas pelo cordão umbilical. Se fosse isso, eu ainda assim ficaria puta, mas respeitava. Quem diz isso está te alertando para os prejuízos terríveis e per-ma-nen-tes que o seu estado psicológico causará na psique do seu bebê. Como se você estivesse contribuindo para o nascimento de um futuro maníaco do parque ou de uma pessoa que vai passar a vida trancada num porão fazendo amizade com traças e rindo histericamente, sei lá... E isso quando a coisa pára nos prejuízos, porque euzinha mesma já ouvi ameaças sinceras de perda de criança por causa dos nervos. Juro. O fato é que dizer para uma pessoa estressada que ela não pode ficar estressada é a piada do século (mas uma piada que inspira instintos assassinos se a pessoa em questão estiver habitada de outra, sou obrigada a dizer). Primeiro porque ninguém é ou está assim por querer. Segundo que isso só vai acrescentar mais um fator de... adivinhem? estresse para a sujeita. "Ai, meu nervosismo vai fazer mal a ela e agora eu vou ficar mais nervosa ainda porque estou fazendo mal a ela e causarei mais e mais mal, aaaaah!". Não, não vai. A não ser que a discussão seja bioquímica, nenhuma conseqüência cósmica fatal castigará o futuro rebento de uma grávida estressada. Mesmo se a gente for falar em hormônios, palpiteiros, não existiria a locução "mãe adolescente" em nenhum idioma se estresse fosse tão devastador assim para os bebês. E newsflash: gravidez estressa. Corpo e mente. Ponto.
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Tem também os palpites movidos a pura ignorância mesmo. Da minha coleção particular: suas unhas estão fracas, a raiz do seu cabelo alisou, esse calo nasceu, seu nervo ciático inflamou "por causa do emocional". Experimente negar: "aaah, mas o emocional contribuuuui...". O Emocional de Almeida, irmão daquele outro. Como sempre dizia a minha terapeuta toda vez que eu aparecia com um pensamento mágico no auge da minha crise de TOC no ano passado, se a sua cabeça tiver todo esse poder, minha filha, toma aqui essa listinha de coisas do meu interesse e começa a mentalizar, por favor.
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Por último, as lendas da vovó. Eu fico impressionada com o tanto de gente esclarecida que realmente acredita que a barriga estar assim ou assado entrega o sexo do bebê, ou que menina dá pele boa e menino dá espinha, ou que não-sei-quê faz criança sentar, essas coisas. A mim parece uma certa teimosia (nostálgica?) em acreditar em folclore contra a obviedade dos fatos. Barriga fica pontuda ou "espalhada" conforme a constituição física de sua dona ou a posição de preferência de seu ocupante naquele momento, ora bolas. Espinha e cabelo oleoso dependem exclusivamente da reação do seu metabolismo à bomba hormonal que caiu na sua cabeça. E só. Isso é tudo bobagem, e não me irritaria se os cultores (mais cultoras, vai) de mitos gravídicos não insistissem em me convencer e fazer careta para o meu ceticismo. Eu, que não sei de nada. Tá.
Thursday, October 04, 2007
O Esquadrão Uterino Anti-Paparazzi ataca novamente
Crianças fazem isso com você: eu fico uma semana na maior ansiedade e empolgação para fazer a ecografia em 4-D e na hora H descubro que a mocinha sentou, virou de cara para a placenta, encostou no nariz lá e ainda puxou o cordão umbilical para a frente do rosto para completar a cena. Isto é, nada de imagem boa para a platéia. E olha que o plano de saúde não cobre o ingresso, caríssimo. Até ganhei um bônus da clínica para tentar repetir o exame quarta-feira que vem. Vamos ver se ela não encomenda um biombo na Tok&Stok até lá. Dos poucos momentos de foco que tivemos, deu para ver que ela já está bem rechonchudinha, tem até bochechas salientes. Fiquei surpresa, achava que bebês de 28 semanas eram mais magrinhos. No começo estava dormindo, depois acordou, ficou de olhos entreabertos, bocejou com gosto, fez carinho no rosto com o braço (na verdade, parecia gato tomando banho, deve ser influência) e botou a língua para fora duas vezes. Claro. Não basta boicotar a ecografia, tem de assinar o recado. Enfim, descontados sombras e borrões, eu vi uma pessoa ali. Ativa, com vontade própria (e como), independente de mim. É muito impactante. E eu, que ainda tenho momentos de duvidar que isso esteja realmente acontecendo, que ainda nutro uma certa dificuldade em associar o que se passa na tela ao que se passa dentro da minha própria barriga, fiquei mais Mother In Awe que nunca.
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Mas não custa perguntar: existe Super Nanny para "naughty" não-nascidos? Humpf.
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