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Current Posts



 




Thursday, December 28, 2006

 

Upclose & Personal

A verdade é que, desde então, eu nunca mais soube qual é o meu lugar no mundo.



posted by Cam Seslaf às 7:17 PM |



Wednesday, December 27, 2006

 

Clientes que não batem à porta da doutorinha

Sofreu um acidente de trabalho, ficou com um tesão descontrolado e levou £3 milhões para compensar.
Se bem que, no Brasil, o mais provável seria a juizada considerar o sujeito já plenamente indenizado, com direito a tapinha nas costas e um "aê, mermão".



posted by Cam Seslaf às 6:21 PM |



Tuesday, December 26, 2006

 

Mr. Sandman, bring me some irony

Acabou que o Papai Noel só me trouxe insônia. Essa madrugada, até mais ou menos 5:00, eu percorri em vão toda a lista de atividades atrativas do sono. Ler me desperta, então não dá. Televisão me faz dormir, mas desde que haja alguma coisa assistível, o que não era o caso. Bubble Shooter? Nada. Flickrnavigation? Nada. Aí fui parar na Amazon, para fazer a inutilidade mais inútil à qual eu já me dediquei nessa vida, que é editar as minhas recomendações.
Acreditem em mim, dá para ficar horas ticando "I own it" e "Not interested". Até porque algumas delas me irritam muito, tipo a Amazon achar que eu me interesso por punk rock só por ter marcado "I own it" num disco do The Cure e noutro do Nine Inch Nails. Ontem, insone, tive saco suficiente para marcar "Not interested" em todas as recomendações de CD, todas. Eu não compro CD lá e nunca comprarei, portanto apreciaria se os senhores parassem de me sugerir coisas esquisitas que me fazem parecer uma pessoa que eu definitivamente não sou. Sim, eu me preocupo com o que a Amazon pensa de mim. E às 4:15.
Por exemplo, ai de quem seguir um link numa matéria sobre fundamentalismo cristão americano que vá dar num livro de um de seus expoentes (se é que cabe a palavra). É capaz de a Amazon passar a recomendar à pobre alma curiosa toda a obra da Ann Coulter.
Ai, também, de quem porventura comprar um livro com explicações médicas sobre a inospitalidade de seu útero. Numa bela madrugada de olhos secos pós-natal, vai encontrar como recomendação número dois um romance entitulado "Phantom Baby".

*

Talvez haja alguma utilidade na inutilidade, afinal de contas.



posted by Cam Seslaf às 12:27 PM |



Sunday, December 24, 2006

 

É verão, mau sinal©

Para Bras-ilha, não é normal: o ar-condicionado do meu quarto não é desligado há mais de 48 horas. Eu sou do tempo em que dia de natal era invariavelmente chuvoso. Chama o Al Gore.
Pessoalmente, estou com zero clima natalino esse ano, mas posso apostar que mesmo os mais falalalala-lalalala terão dificuldade de encarar os sete graus centígrados a mais causados por forno ligado, rabanada fritando e afins.
Se Papai Noel existisse, eu só pediria um sopro do Pólo Norte.



posted by Cam Seslaf às 2:09 PM |



Saturday, December 23, 2006

 

Grounded

Meio por preparação, meio por masoquismo, acompanho as notícias do apagão aéreo.
Tudo é muito esquisito desde o começo. Primeiro era greve branca de controladores, depois pane no sistema, depois pane meteorológica, e agora, dizem, pane gerencial na TAM. Nenhuma autoridade ligada ao setor foi demitida, o que seria o natural (e imediato) em qualquer lugar sensato do mundo.
O presidente da ANAC considera 44% de vôos atrasados e 14 vôos cancelados uma "situação sob controle".
A TAM alega que precisou mandar 6 aeronaves para uma "manutenção não programada" e acredita que nós vamos pensar que sua frota é de meros 24 aviões. Pior: tal como aconteceu com as graves falhas expostas no controle aéreo, eu não vi ninguém se perguntando qual terá sido o mal súbito que acometeu os 6 pacientes.
Houve gente dizendo que a TAM está retendo aviões no solo para eles "lotarem". Está aí o resultado da Bovespa na sexta-feira para mostrar o quão estúpida é a hipótese. Também fala-se em overbooking, coisa que a TAM faz, e faz muito, mas eles teriam de ter vendido, sei lá, metade a mais da capacidade de cada vôo para causar tanto tumulto. Como diria o meu pai, aí tem.
O único a demonstrar competência, quem diria, foi o Loola. Pegou a deixa dos Excelências, que queriam jatos da FAB para seus privilegiados traseiros, foi mais rápido no gatilho e criou o Bolsa Avião para garantir o feliz natal do povo mais abastado.
Já eu, usuária freqüente e paranóica por natureza, gostaria que aparecesse algum funcionário insatisfeito de companhia aérea, algum parente de controlador, para dar uma entrevista por aí. Porque esse pandemônio está pedindo há tempos um bom repórter ou um Jeffrey Wigand voador.



posted by Cam Seslaf às 8:06 PM |



Thursday, December 21, 2006

 

Trivial Variado

Ainda não eram nove horas, mas eu já tinha tomado um canecão de café, então sei que não foi sonho.
Indo para o Pilates, ouvi uma entrevista com dois nobilíssimos deputados na Rádio Câmara. Peguei o bonde andando, mas entrei justamente na estação em que um deles dizia, sobre as gritas contra parlamentares desse ano, que é muito comum, que "desde Roma já se via", "o eleitor projetar suas frustrações pessoais, suas raivas, na figura do deputado, do senador...".
Viram? Não bastasse tudo, a culpa ainda é nossa. Freudianamente nossa.

*

Mas o tio parou? Nããão, o tio não parou.
Para ele, o Poder Legislativo é "muito desguarnecido e não tem verba".
No hay verba.
Curiosamente, na Folha de ontem, o Fernando Rodrigues me informou que a Câmara sozinha, com seus 16 mil funcionários, teve um orçamento de R$ 2,6 bilhões em 2006. Bilhões. Esse troquinho "só é menor do que o dinheiro gasto por três das 5.562 cidades brasileiras: São Paulo, Rio e Belo Horizonte".
E nada de reclamar, seus pouco analisados!

*

Eu só vou viajar no dia 29, mas já estou chorando desde agora.



posted by Cam Seslaf às 2:31 PM |



Wednesday, December 20, 2006

 

Hard Day's Year's Night

Ontem eu acabei o dia bastante melancólica e liguei para a minha irmã mais nova para ir jantar comigo, sete e pouco da noite, sol ainda claro.
Tacinha de Prosecco aqui, tacinhas de Pinot Noir ali, e um brinde:
- "Eu li que 2007 será regido por Júpiter, que é o 'presenteador'... Então, que o ano novo seja melhor."
- "Acho muito bom, Camila, porque 2006 só foi bom para a Angélica."
Tin-tin!



posted by Cam Seslaf às 11:45 AM |



Tuesday, December 19, 2006

 

Era uma vez dez unhas

O último dia forense quase sempre parece ser o último dia, period.



posted by Cam Seslaf às 6:12 PM |



Monday, December 18, 2006

 

Child Protective Services



Elesbona, como já sabem nossas pobres e desavisadas retinas, não tem amigo.
É bom que tenha um vasto time de advogados.
A propósito, sua fecundidade desafia a mente de estudiosos da seleção natural.
E a minha.



posted by Cam Seslaf às 4:28 PM |



Friday, December 15, 2006

 

CCCP do B

No dia em que os excelências aprovaram seu singelo bônus natalino de 91%, eu recebi um e-mail com uma amostra do produto da atividade dos felizes contemplados.
Eu desconhecia inteiramente a proposta, nascida no seio do glorioso petismo piauiense. Aqueles que já leram sobre o assunto, perdoem-me, mas eu preciso alegrar o dia dos demais leitores. Garanto que o efeito será mais positivo do que chegar em casa depois do Pilates, encontrar o aquecedor do banheiro queimado e ouvir da única assistência técnica autorizada na cidade que só poderá atender ao chamado daqui a 48 horas, como aconteceu comigo hoje.
Apreciem, portanto, o inteiro teor do Projeto de Lei nº 137/2004, que cria o "Limite Máximo de Consumo" para todos os brasileiros por um período de 7 anos e determina que o excedente vá para uma "Poupança Fraterna".
Eu recomendo vivamente que vocês tenham a pachorra de ler o arquivo inteiro. Ofereço, como aperitivo, o seguinte:
- Ninguém poderá gastar mais do que dez vezes o valor da renda per capita nacional, calculada pelo IBGE. Segundo informa nosso deputado, em janeiro de 2004, isso equivaleria a "aproximadamente R$ 7.630,00". Abre aspas: "Trata-se, inquestionavelmente, de um nível de remuneração que permite ao poupador uma vida estável, digna, com possibilidade de investir no crescimento intelectual e artístico, seu e dos seus familiares, e ainda reservar recursos para eventualidades, mesmo se esta for a única renda de uma família com quatro membros, o que já é maior que a família média brasileira".
- O excedente, como dito, iria para uma conta compulsória, a "Poupança Fraterna", cujo saldo seria devolvido ao titular, em suaves prestações mensais, ao longo de 14 anos.
- Saques na maviosa "Poupança Fraterna" só poderiam ser efetuados em caso de morte do titular, doença do titular, seu cônjuge ou dependentes diretos (isto é, para o resto da família, sete palmos), para aquisição de casa própria, desde que seu valor não exceda R$ 200.000,00, ou para investimento em projetos previamente aprovados pelo Conselho Nacional da Poupança Fraterna.
Tem muito mais. Eu disse que valia a pena ler.
Agora, se vocês me dão licença, eu vou ali no Comitê Popular de Costureiras da Pátria tirar as medidas do meu uniforme azul.

[Curiosamente, quando eu procurava o link com a íntegra do projeto, a primeira página tentada, também hospedada no site da Câmara, foi recusada pelo meu navegador nos seguintes termos: "Há um problema no certificado de segurança do site. O certificado de segurança apresentado pelo site não foi emitido por uma autoridade de certificação confiável. Problemas de certificado de segurança podem indicar uma tentativa de enganá-lo ou de interceptar algum dado enviado ao servidor". Na mosca!]



posted by Cam Seslaf às 11:44 AM |



Thursday, December 14, 2006

 

Bananas de Pijamas

O habeas corpus foi impetrado em favor de dois réus, pai e filho, presos preventivamente há meses. Metade dos motivos para a prisão é ilegal, metade perdeu a razão de ser pelo decurso do tempo e do próprio processo.
O relator quis ouvir o Ministério Público antes de decidir a liminar. Terça-feira è tutto finito no STJ. Como diria o Zé Simão, hoje, só em fevereiro. Dona Procuradora está com o processo há oito dias, e nada, nada, nada. É que em nenhum desses dias Dona Procuradora foi trabalhar. Sabem como é, Dona Procuradora trabalha em casa.
De fatamente, eu preciso mudar de profissão.

*

E eu nem me surpreendo mais, mas vocês podem rir à vontade da minha sorte. A Praga Advocatícia de Natal abateu-se mais uma vez sobre mim. Num dos processos mais cabeludos do escritório, Doutor Juiz quer antecipar o encerramento da instrução (i.e., fase de colheita de provas), abrir prazo para alegações finais (i.e., última e principal manifestação de acusação e defesa) e mandar os autos conclusos para sentença (i.e., momento de o carrasco dar manutenção em todas as roldanas da guilhotinha). Detalhe: na primeira semana de fevereiro seriam as audiências das nossas principais testemunhas, em São Paulo. Quase todas, na verdade. A empresa tem sede lá, os réus moram lá, logo, as testemunhas idem.
Agora a Doutorinha vai ter de brigar pela carta precatória, acendendo uma vela para que Santa Razoabilidade inspire S. Exa., ou sentar-se à margem do rio Piedra e chorar*.

*Para os clientes seria até bom: lá na frente eu anulo o processo por cerceamento de defesa. Para mim, rauéver, significa um feliz natal e um próspero ano novo. De novo, de novo.



posted by Cam Seslaf às 5:05 PM |



Monday, December 11, 2006

 

Tribunalícias

Em dezembro de 2006, ter de ouvir de uma funcionária da portaria do Supremo Tribunal Federal o condicional "tá de saia?" (a doutora estava sem blazer) para poder subir no prédio é tão surreal que chega a ser ofensivo.
E olha que nós temos uma presidenta.

*

Definitivamente, o homem não está familiarizado com o conceito de overkill.
E já dá até preguiça de explicar.



posted by Cam Seslaf às 5:01 PM |




 

Trivial Variado

Tive um momento Luana Camará. Sonhei que estava na minha cama, de repente ouvia um barulho muito forte, levantava para olhar pela janela e via um avião voando bem baixo, prestes a cair no meio da 315.
Daí caiu um monomotor em Bras-ilha ontem.

*

Eu não sei como é nas demais cidades, mas dono de celular Motoroller aqui sofre. O meu voltou hoje da assistência técnica, depois de quarenta dias e noventa e cinco reais, completamente mudo.
Fui reclamar e a mocinha me disse que teria de mandar para o laboratório de novo (sem estar sabendo quando ela poderia estar devolvendo o telefone, é claro). De todos os aparelhos eletro-eletrônicos que eu já tive em toda a minha vida, o Motoroller é o que tem a pior assistência técnica. Se os japas lá soubessem... Hmmm, se soubessem, eles fabricariam aparelhos que funcionassem.

*

Na Folha de ontem tinha uma entrevista maravilinda com um representante da Federação Internacional dos Controladores de Tráfego Aéreo. Segundo ele, duas companhias européias já deram ordens para que seus pilotos voem como na África, deslocados do centro da via aérea, para evitar colisões.
Perguntado se a Federação discutira declarar o espaço aéreo brasileiro "inseguro", ele disse que sim. Para o sossego de nossos espíritos, ele também afirmou que "não viajaria despreocupado" no Brasil, mas que não podia excluir a hipótese "se houver necessidade familiar": "Aí provavelmente iria viajar, mas, claro, com preocupação dentro do coração".
Mas respirem aliviados, amigos-irmãos viajantes: "O Brasil, se arrumar seus problemas estruturais de equipamentos e controladores, daqui a dois ou três anos pode ter bom padrão".

*

E o teu futuro espelha essa grandezaaaa, terra adoraaaaa-da!



posted by Cam Seslaf às 3:40 PM |



Friday, December 08, 2006

 

Muito Feliz Dia da Moça Vendada

Feriado para direitistas em plena sexta-feira e dia útil para o resto do mundo. Bom para fazer aquelas coisinhas para as quais nunca se tem tempo, prolongar o almoço, emendar com uma sessãozinha de reflexologia e ainda conseguir chegar em casa à tardinha para pegar friozinho, chuva e a minha caixa nova do Cosmos.



posted by Cam Seslaf às 7:20 PM |



Thursday, December 07, 2006

 

Madison at 31st - III

Como tem gente indo para Nova York, e gente com apetite, digamos assim (hohoho), deixem-me encerrar o assunto comilanças.
Union Square Café. Para mim, é meio básico ir. É o tipo de restaurante que nunca te falha. Tem um bar muito charmoso, ideal para dar uma relaxada pós-livrarias (pode-se comer nele também).
Chineses. Para quem gosta, comida chinesa de verdade só se encontra no exterior (com pouquíssimas exceções, aqui impera um estranho cruzamento de chop sueys com yakisobas). Eu, se desse tempo, teria ido em mais de um e ainda num oriental só de noodles. Como ninguém almoça e janta duas vezes no mesmo dia, ficamos só no Shun Lee Café. Comemos uns dumplings bem gostosos, cabelinho de anjo com pato assado e uma carne desfiada e meio caramelizada com cenouras. Os dois últimos tinham muito óleo, daquele tipo de prato que você come pedindo perdão a cada mordida. Não chegava a estragar o gosto (claro que less is more nesse departamento), ambos estavam uma delícia e até hoje eu não sei de qual gostei mais. A decoração é uma história à parte. Laca preta e couro preto nas mesas e cadeiras, um dragão gigante de papel dourado e iluminado circulando todo o salão e macaquinhos de gesso dourado (!) dependurados nas mais variadas posições.
Extravagâncias. Como eu disse, eu não faço compras para poder gastar com restaurante. Todos os que eu indicarei a partir de agora requerem verba e coragem. Mas... Aaaaah, valeram cada centavo e cada centímetro a mais nos meus quadris.
Craft. Não é um bom jeito de introduzi-lo, mas para quem vê Top Chef, é o restaurante do Tom Colicchio. O conceito do lugar é hiperlegal: o cliente monta o prato, escolhendo carnes, aves, peixes, frutos do mar ou caças e seus respectivos acompanhamentos. Vale a pena dar uma navegadinha no site para entender (e se torturar). Eu já tinha ido lá na minha última vez em Nova York (God bless business lunch) e ficado encantada. Desta vez, nós fomos para o Thanksgiving Dinner (um menu fixo que merecia um post por si só) e na véspera de ir embora (o Manfriend, quando gosta...). Inesquecíveis: todos os acompanhamentos do big bird (até bulbo de erva doce grelhado eu comi. Eu. Erva doce.), torta de pêras e cranberries e sorbets de romã e de uvas Concord (melhores sobremesas da viagem), no Fucksgiving (inovação Manfriendiana depois que a conta chegou), e a descoberta do legume mais bonito da face da Terra.
Sushi Yasuda e Nobu Next Door. O primeiro é o supra-sumo do chique-simples, decoração ultraminimalista, mas sashimis e sushis cobrados por peça. Tudo bem, eu pagava tudo de novo por aquele toro. No segundo, versão para remediados (beeem remediados) do Nobu, o melhor foi o sashimi de atum Yellowtail com pimenta jalapeño (e o molho ponzu que acompanhava outro prato e me deu vontade de tomar de guti-guti).
Tivemos só três decepções, uma delas no departamento das extravagâncias. Não que a comida no Babbo estivesse ruim, mas deixou muito a desejar, considerando a fama. As entradas vieram perfeitas, mas os pratos de massa estavam bem desequilibrados. Além do mais, o tamanho das porções era tão gigante que eu duvido que alguém consiga encarar um secondo piato ali. Ainda assim, o serviço foi impecável (cortesia de uma japonesinha very hottie) e a carta de vinhos é uma Disneylândia (enciclopédica) para entendidos. Ah, e os livros do Mario Batali são muito bacanas. Eu tenho e recomeindo.
É isso. Agora, se vocês me dão licença, lá vou eu pro self-self.



posted by Cam Seslaf às 11:40 AM |



Wednesday, December 06, 2006

 

Trivial Variado

Se ele fosse gata, eu diria que estava no cio, mas como não tenho notícia de que machos também fiquem em estado interessante (Leila?), adoraria que alguém me explicasse o que deu no Calvin essa noite para virar uma Maria Callas, entoar 750 árias felinas e não me deixar pregar o olho um só minuto. Ele não só dava espetáculo pela casa inteira, como me cutucava com a patinha e "mrrrrrwaaau, maaaaau, mrrrrwaaaaau, mrrrrwaaaaau!" na minha cara.
Fiz de tudo: dei comida, gelinho na água, catnip, abri a geladeira, fiquei neurótica e apalpei barriga, garganta, examinei olhos, e nada.
Espero que não vire moda. Além de me transformar num zumbi, ele me transformará num zumbi com várias cartinhas do síndico na mão.

*

Por falar em não dormir, foi basicamente o que An Inconvenient Truth, o filme do Al Gore, fez comigo no sábado passado. Superem seus preconceitos os que os tiverem, é um susto que todos precisamos tomar.
Eu, que nunca escondi meu lado personagem do Veríssimo, presente desde a mais tenra infância, saí do cinema com doses extras de culpa por ser uma poota emissora de carbono, de tanto avião tomado nos últimos tempos.
Assistam, sério.

*

E por falar em avião e em perder o sono...

*

As pessoas maldizem o horário de verão, mas é graças a ele que eu tenho voltado para casa com o dia ainda relativamente claro e acabei sendo poupada de uma visão medonha até ontem. Sabem o edifício sede da Caixa aqui em Bras-ilha, aquele prédio cilíndrico? Pois o Comitê Gestor de Decoração Natalina do banco resolveu transformá-lo numa vela gigante esse ano, com direito a linhas de lâmpadas brancas descendo prédio abaixo (leia-se: cera derretida) e uma chama amarela e crepitante no topo. Beeeutiful.



posted by Cam Seslaf às 10:42 AM |



Tuesday, December 05, 2006

 

Madison at 31st - II

Mais comilanças novaiorquinas, para torturar a blogueira e os leitores bem na hora do almoço.
Artisanal, o paraíso dos queijomaníacos. Este nós descobrimos totalmente por acaso, na rua de cima do nosso hotel. É um bistrô ultra simpático, com uma fromagerie de fazer todas as artérias gritarem "Lipitor! Lipitor!" em uníssono. Nosso último almoço antes de embarcar foi lá e eu dei uma de criança e pedi um macaroni and cheese com fatias de prosciutto que era coisa de gente grande. Zel, .
Um lugar engraçado de ir, que eu tinha visto numa revista meses atrás, é o burger joint (assim mesmo, em minúsculas). Você entra no lobby de um hotel chiquérrimo, vê uma fila num cantinho, atrás de umas cortinas imeeensas, e cai num buraco tosco-de-propósito (o site diz tudo), de paredes rabiscadas pelos freqüentadores, onde impera a gritaria, o salve-se quem puder na hora de sentar e os hambúrgueres vêm embrulhados em papel de pão. Nada de bandejas, tudo na mão, trash como le gusta. É perto do MoMA, o que funciona como uma excelente desculpa. ;D
No lado mais leve e menos arteriosclerótico da Força, raw bars. Agora é a estação das ostras e quase todos os restaurantes oferecem um cardápio de moluscos crus (eu sei que isso ficou extremamente cacofônico). O que eu considero a minha melhor refeição em Nova York foi no Pearl Oyster Bar, um pequeniníssimo restaurante numa mais pequeniníssima ainda rua no Greenwich Village. Lá eles servem as ostras do dia, além de um cardápio enxuto e, que eu me lembre, sem nada que não viva na água. Nós pedimos (e repetimos) as ostras e depois eu segui com um red snapper (peixe da família do pargo) grelhado inteiro, recheado com ervas e acompanhado de legumes também grelhados (esqueçam aquela coisa "peixe com legumes" pálida e hospitalar, estamos tratando de outro mundo) e uma lagosta do Maine de 1 libra e meia acompanhada de um pudding de milho devidamente furtado repetidas vezes do Manfriend. Sabe o básico do básico que resulta na maravilha das maravilhas? There.
E tem, é claro, o famoso Oyster Bar da Grand Central Station, que se não tivesse umas 14 variedades diferentes só de ostras, já valeria pela locação.
Para encerrar o post, um retorno aos guilty pleasures: Magnolia Bakery, que já é quase um clichê e até um pouquiiiinho overrated (fila pra entrar, autoatendimento e confusão), mas ao mesmo tempo é a incorporação da "comfort food", daquilo que as mães e avós assavam. Então, pelo menos para mim, fica tudo perdoado. Nem importa que naquele glacê tenha mais manteiga do que eu consigo consumir num mês inteiro, eles são uma delícia e ponto final. Pegue uma caixinha pequena, leve para o quarto do hotel e coma escondido entre as refeições. É o conselho da tia.



posted by Cam Seslaf às 12:02 PM |




 

Fiat experimentum in corpore vili

Você, pobre e ingênua você, acha que por ter andado quilômetros por dia durante dez dias e de sapato baixo, os queridos músculos do seu corpinho não ficariam tão travados assim quando chegasse a hora de voltar para casa e para o Pilates.
Aí você tem uma longa noite de sono na véspera da aula, por sinal a primeira noite de sono decente desde que chegou de viagem, e acorda toda bem disposta e energizada (ou fazendo muita força para introjetar no seu cérebro tais disposição e energia).
Nos primeiros exercícios, você não nota nada de mais. Eles servem apenas de aquecimento, afinal. Mas na hora em que a aula engata de verdade e o professor começa a exigir mais dos referidos musculinhos, a sensação é que isto está mais para isto.
Ouch. Bom dia.



posted by Cam Seslaf às 11:38 AM |



Saturday, December 02, 2006

 

Something Wacky, Something Blue

Pesquisa de Google mais esdrúxula a trazer alguém para este blog ever:
"médicos em Goiânia que fazem exame físico para visto de noiva".



posted by Cam Seslaf às 8:23 PM |



Friday, December 01, 2006

 

Madison at 31st

Então vamos lá, New York, New York.
Eu sou uma pessoa que viaja com um interesse primordial em... comer. Tem gente que se prepara para viajar pesquisando museus, galerias, noitadas e pontos bacanas e desconhecidos. Eu me preparo fazendo uma assinatura mensal no Zagat. Para quem sofre da mesma curiosidade culinária que eu (a-hem, é com você, sim), recomendo vivamente que faça o mesmo. Até para ir abrindo o apetite, hohoho.
Chegar em Nova York e comprar um guia Zagat é básico, quase mais importante que ter um mapa da cidade ou das linhas do metrô na bolsa. Numa cidade que dificulta a sua vida gastronômica por excesso de opções, percorrer as listas de tops (top food, tops por região ou especialidade, etc.) ajuda horrores e (praticamente) elimina a possibilidade de furadas.
Duas delas, por exemplo, são ótimas: top prix-fixe lunch e top prix-fixe dinner. Em bom português, restaurantes bacanérrimos (portanto, carérrimos) que oferecem a opção de um menu fechado, com entrada, prato principal e sobremesa, a um precinho bem razoável e às vezes até surpreendente.
Um dos que provamos foi o Market Menu (US$ 36 por pessoa) do Eleven Madison Park, um restaurante lindo, ao estilo tradicional, com um pé direito do tamanho do universo, uma comida muito elegante e um serviço atenciosíssimo. Se não fosse o primeiro almoço, se nós não estivéssemos perambulando por Manhattan desde 07:00 (porque o check-in do hotel só era às 15:00. Sim, 15:00.) e, portanto, se não tivéssemos nos empolgado pedindo vinho atrás de vinho (e grappa atrás de grappa), a conta teria vindo num preço decentíssimo. But. ;D
Outra opção deliciosa e (essa sim) ridiculamente barata foi o buffet do almoço no indiano Chola*. Antes que alguém torça o nariz para a palavra "buffet", aviso que sou a primeira a ter preconceito, porque almoço em self-service de segunda a quinta toda santa semana. Que eu me lembre, não dava US$ 14 por pessoa, vieram umas entradinhas deliciosas para a mesa (dosas, um negocinho crocante com molhos de chili verde e tamarindo** que eu matei todinho...) e a comida era bem variada, inclusive nos graus de pimentude, e sem aquela cara cansada de rechaud. O Chicken Tikka Masala eu cheguei a repetir, de tão bom que estava. Lembrei de você horrores.
A Rua 58 (entre a 2ª e a 3ª Avenidas), aliás, é cheia de indianos, numa versão mais sofisticadinha que o "corredor" da Rua 6. Alguns lá podem até ser bons, mas as carinhas não são muito convidativas, eu diria.
Teve uma tarde em que nós meio que perdemos a hora e acabamos indo parar no Mercer Kitchen, também com prix-fixe lunch, mas nem um pouco empolgante, meio na linha "don't believe the hype" (que já é meio datado, por sinal, but). A melhor coisa for ter aprendido a fazer um drink de limonada com tomilho e vodka. Virgínia, "é verão, mau sinal", então a gente precisa se acomodar de algum jeito. ;D
Outra dica legal é o Blue Ribbon, porque fica aberto até 04:00. Nós chegamos lá às 02:00, num domingo, depois de um show no Blue Note. Apesar de não ser dos mais baratos do mundo, tem umas comidinhas bem comfort e a trilha sonora é (era) tudo (para não falar no host gatinho com cara de namorado da Giu).
Tem muito mais, mas eu conto depois, que tem um prazo aqui me fazendo "camón, baby" com o dedinho.

*O Menu Pages é outro site legal, porque tem os cardápios dos restaurantes online e é de graça.

**O Manfriend conta uma história de um restaurante que ele foi em Taiwan e onde se deparou com três bolinhos imersos num líquido azul-turquesa. Diante de sua expressão de espanto, o guia que o acompanhava ficou repetindo "não imporrrta, não imporrrta!" enquanto mandava ver na coisa. Eu não sei o que era o crocantinho, mas estava tão gostoso que talvez seja até melhor não saber. :D



posted by Cam Seslaf às 12:13 PM |